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Um convite irresistível ao diálogo

dezembro 17, 2012

marina-silva

Concebo a política como atividade humana emancipatória e construtora da felicidade, cujo verbo “servir” prevalece sobre os demais verbos.

Política é o ofício do “servir”.

Servir ao nosso tempo, à nossa comunidade, local, regional e internacional; servir à geração atual e às gerações vindouras que o tempo humano nem mesmo nos permitirá conhecer.

É dessa política que estamos carentes, num país em cujos negócios e interesses privados se misturam aos negócios e interesses públicos, fazendo destes um instrumento a serviço daqueles, por meio da corrupção, da sonegação, do favorecimento em licitações, do financiamento de campanhas eleitorais, da cooptação e da chantagem.

É essa política pela qual me entusiasmo e por meio da qual dou sentido ao meu existir.

Em artigo publicado na Folha de São Paulo, no último dia 14 de dezembro, Marina Silva fala das múltiplas faces da crise que vivemos no mundo (econômica, social, ambiental, política e de valores) e propõe uma agenda de diálogos com a sociedade, segundo ela “inspirada na arte”, com vistas a “inverter essa estranheza da ideia do bem comum, refazer para ela um novo ninho no ato político.”.

Procurado por Marina, aceitei o convite para participar do diálogo.

Leia o artigo.

Da queixa à arte

Marina Silva

A indagação é justa como as pessoas a expressam: continuarei ou não no espaço da ação política institucional? Mais justa ainda é a pergunta oculta: ainda é possível ressignificar a política como mediadora da busca do bem comum? Sobre isso vale a pena iniciar uma agenda de conversa. Com todos: lideranças políticas, pessoas de movimentos sociais, juventudes, academia e uma multidão de amigos e colaboradores da campanha de 2010.

É grave a crise que vivemos no mundo, feita de múltiplas crises: econômica, social, ambiental, política e de valores (as duas últimas, a meu ver, estão na base das demais). Está evidente a insustentabilidade da nossa relação com o si-mesmo, com os outros, com a natureza. Evidente, também, é o esgotamento da fórmula política, que produz e reproduz os impasses críticos, produz perplexidade, não gera respostas nem novas perguntas.

No Brasil, repetimos a necessidade de fazer uma reforma política, mas a única coisa que reformamos é o prazo, sempre adiado e vencido. A política brasileira permanece estagnada, no conteúdo e na forma como, hoje, opera a maioria de seus partidos e lideranças. O sintoma da estagnação é a queixa, repetitiva, paralisante.

A possibilidade de ressignificar a política é uma nova atitude, que nos leve da gesticulação ao gesto e do gesto ao ato. Uma espécie de esforço reparador, envolvendo pessoas de diferentes segmentos da sociedade, no sentido de repatriar os valores, o sonho e a política como arte de realizar o bem comum, ideais que foram exilados do fazer político pelo excesso de pragmatismo, de apego ao poder pelo poder.

Nos últimos cem anos, a arte subsistiu, muitas vezes exilada da política, como o fazer humano capaz de realizar as promessas de mudança e a ideia de revolução. No outro território desse exílio, a política, sem arte, deixa de ser política. Vira “arte”, sinônimo de malfeito, sua versão distorcida. E a sintomática repetição dos malfeitos fazem com que a ideia de bem comum, originariamente associada à política, torne-se estranha a ela.

Minha agenda de diálogos ganha, inspirada na arte, esse sentido: inverter essa estranheza da ideia do bem comum, refazer para ela um novo ninho no ato político. Identifico, em cada brasileiro que tem coragem de assumir e encarar as crises deste tempo, um novo Marcel Duchamp capaz de realizar um “ready-made” na cidadania, na vida social, na economia, no ambiente.

Talvez possamos, como na subversiva arte de Duchamp, fazer um gesto capaz de transformar o feio e prosaico vaso da legislação eleitoral numa fonte restauradora de renovação da política. Impossível? Às vezes, o impossível é a única aspiração que resta a quem é verdadeiramente realista.

Conversemos, pois.

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