h1

Eleições e novela

outubro 24, 2012

Uma campanha eleitoral não pode continuar a ser, como tem sido, um vale-tudo.

Vale errar, por que errar é humano.

Vale exceder-se, por que as disputas são emocionais, embora não devessem ser passionais.

Vale apontar as contradições e as fragilidades dos adversários, por que isto é da essência da disputa política.

Vale até mesmo ocultar ou disfarçar as suas próprias fragilidades, por que eleição não é expiação.

Mas não vale fraudar a própria identidade, vestindo um figurino que não se ajusta ao molde.

Eleição não é novela ou filme, cujos personagens se esgotam no último capítulo, ainda que permaneçam na memória dos noveleiros.

Eleição é vida real, cujos candidatos, só depois de eleitos é que assumem o papel de protagonista.

O drama, já que falei de novela, é perceber que as campanhas eleitorais “novelizam-se” aceleradamente. E, ao se “novelizarem”, substituem os candidatos – que deveriam ser humanos falíveis, limitados, precários – por personagens idealizados, “perfeitos”, autômatos.

É assim que Zenaldo se apresenta ao distinto eleitor, como um personagem, o “Candidato Zenaldo”, homem sensível e dedicado a fazer o bem, que representa o novo, a mudança.

No seu portfólio de bons serviços prestados aos que mais precisam, o Instituto, criado e mantido pelo próprio criador da entidade e por amigos beneméritos preocupados em fazer o bem.

Por duas vezes, em momentos distintos, primeiro numa entrevista concedida ao jornalista Mauro Bonna e, dias depois, no debate da Rádio Liberal CBN, o “Candidato Zenaldo” afirmou, peremptoriamente, que o Instituto é mantido exclusivamente com recursos privados. Na entrevista a Mauro Bonna, inquirido, negou que o Instituto tivesse sido beneficiado com recursos públicos.

Revelado que o Instituto recebeu recursos da ASIPAG, a Ação Social do Palácio do Governo, em quantia superior a R$300 mil, em valores atualizados, o “Candidato Zenaldo”, seguindo o script do personagem, recorre ao sofisma de que o recurso público não foi para manutenção ou custeio, mas para aquisição e reforma do prédio, como se fizesse alguma diferença se o recurso público foi para reformar o prédio ou para comprar material de expediente ou cafezinho.

Todos os contribuintes paraenses somos sócios do Instituto de Zenaldo.

A novela eleitoral está chegando ao capítulo final, e como toda novela, as verdades começam a aparecer.

Anúncios

One comment

  1. A máscara do Zenaldo caiu! Nunca trabalhou de verdade, faz “caridade” com o dinheiro dos outros, não tem propostas (vide o site em que constam somente esboços), enfim é um candidato totalmente fabricado para continuar a “obra” de Duciomar.



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: